Oito pessoas já foram ouvidas pela PF.

Segundo as investigações, o prejuízo foi de R$200 mil.

PF ouve pessoas no inquérito que apura desvio de verba da educação em Altamira A Polícia Federal (PF) já ouviu oito pessoas nas investigações que apuram o suposto envolvimento do vereador Roni Heck (MDB), e a esposa, Márcia Daniele Rodrigues, secretária de Educação de Altamira, sudeste do Pará, em desvios de recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) para compras pessoais de materiais de construção.

A PF apura a conduta do parlamentar e da mulher, depois que a Polícia Civil fez apreensões na casa deles no distrito Castelo dos Sonhos.

Ambos foram afastados dos cargos. Segundo as investigações, o prejuízo foi de R$200 mil.

Uma arma com numeração adulterada foi encontrada na posse do vereador durante busca e apreensão. A defesa do casal conseguiu na Justiça que o vereador respondesse em liberdade pela posse irregular de arma de fogo.

Ele foi solto na tarde desta sexta (23). O vereador ficou preso na delegacia de Altamira, depois que a arma foi encontrada na casa dele.

Heck deve responder por posse irregular de arma de fogo.

Segundo a defesa, a arma é relíquia de família. "É uma arma de 70, 80 anos, e por ter sido restaurada era uma herança do avô dele, registro que impossibilita de que a autoridade arbitre fiança e foi feito pedido de liberdade provisória.

Ele atende a todos os requisitos para ser beneficiado com essa prerrogativa da lei", alegou Otacílio Lino Júnior, advogado. Segundo a PF, os materiais de construção foram comprados em uma loja em Altamira e levados para o distrito que fica a mais de 100 km da cidade. "Os materiais de construção foram entregues e constava ali a nota do Fundeb, isso é fato público.

A partir dali, passamos a monitorar os alvos e fizemos a operação como extensão desse fato.

A operação então foi se tornando maior, mais complexa", explicou Gustavo Paolinelli, delegado da PF. O advogado do casal alega que a empresa que vendeu o material cometeu equívoco na emissão da nota fiscal.

"Houve equívoco da loja de colocar na nota fiscal remetendo o material como compra pessoal dele", disse o advogado.

O inquérito corre sob sigilo, mas a PF, além de apurar o desvio de recursos da educação no município, também quer saber se houve fraudes em licitações.

Mídias, celulares e documentos apreendidos vão ajudar a esclarecer o caso.

"Como há também a possibilidade de que haja fraude em licitações, o valor de R$200 mil pode ser muito superior.

É possível que haja, no decorrer da investigação, outros delitos a exemplo de uma associação criminosa.

Mas isso ainda é muito cedo pra falar", afirmou Paolinelli. A Câmara Municipal e a Prefeitura de Altamira foram notificadas nesta sexta sobre o afastamento do casal.

Operação A Polícia Federal e a Polícia Civil do Pará cumpriram na quinta-feira (21) sete mandados de busca e apreensão durante a operação "Olho de Hórus", na sede do município de Altamira e no distrito de Castelo dos Sonhos, na região sudoeste do Pará.

Além das buscas, há também o cumprimento do afastamento das funções da Secretária de Educação e do vereador dos seus respectivos cargos. O objetivo da operação policial é combater o desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações do Fundeb. Segundo a PF, a operação é um dos desdobramentos da apreensão de mercadorias, destinadas a Secretaria de Educação (Semed), ocorrida na residência do vereador em abril deste ano.